Diagramação, a parte que ninguém se interessa em saber

Se você chegou até aqui na certa é porque você ou está perdido ou gosta de design ou apenas de tipografia. De qualquer forma este texto é um apanhado de várias dúvidas que as vezes me procuram para tirar. Muitas eu também não sabia muito bem, outras foram descobertas por acaso, mas o legal é que eu acabei aprendendo um pouco mais além do básico que a gente convive. Por isso aproveito para publicar aqui o que eu consegui e assim é bom que já deixo compartilhada a informação.

Uma coisa muito legal de fazer é a diagramação, que é basicamente organizar em uma página as informações a serem colocadas nela. Muito importante saber o que se está fazendo para poder fazer algo bom, caso contrário estará fazendo algo que dá muito trabalho e sem saber ao certo o resultado que se quer chegar. Ao lidar com qualquer tipo de material relacionado a design, quer seja com material impresso ou formatado para a web, você tem que estar ciente de algumas informações, como formatos, cores e fontes. Algumas medidas relacionadas a tipografia são muito mais complexas do que o tamanho do corpo da fonte, e aí entra o tamanho do espaço onde entra o texto, a largura da linha, e o espaço entre todas as linhas, que são medidas que têm de ser considerados ao longo do projeto.

composição tipográfica

Não se surpreenda, mas os livros já foram feitos assim um dia.

Antes de falar das medidas, gostaria de deixar claro que uma boa atitude por parte de quem vai diagramar é lembrar que nem sempre as coisas funcionaram a apenas alguns cliques de um computador, exigindo de quem fazia uma simples página horas a fio de trabalho hercúleo para que tudo saísse da melhor forma possível. As páginas eram diagramadas com tipos de ferro (letras) e depois de todas dispostas em uma grande forma eram assim reproduzidas.

Agora sim, voltando aos aspectos da diagramação vamos começar pelas medidas básicas que são usadas em tipografia, essas medidas são chamadas de pontos e picas (paicas), e são muito utilizadas em trabalhos tipográficos e diagramados, milímetros aqui são utilizados também, mas sempre em paralelo a estas. E convenhamos, para milímetros não precisamos dar muita explicação aqui, ok?

Ponto

A medida tipográfica conhecida como Ponto (também chamado cicéro) foi estabelecida pelo tipógrafo e impressor francês Francisco Ambrósio Didot.
Sua equivalência no sistema métrico é de cerca de 0,376mm (ou 2,6 pontos = 1 mm).

Paica (pica)

Paica (aportuguesação do inglês pica) é um padrão de medida tipográfica anglo-saxã.
Esta unidade correspondente a 72 avos de um Pé, ou respectivamente, um sexto de polegada.
A paica subdivide-se em outra unidade tipográfica, o ponto. Onde 12 pontos correspondem a uma paica. Uma paica equivale a aproximadamente 4,23 mm.
Originou-se por volta de 1785, quando Françoise “L’éclat” Ambrose Didot (1730–1804) redefiniu o sistema de medidas tipográficas criado por Pierre Simon Fournier le Jeune (1712–1768). Ele substituiu o sistema tradicional de medida em Cicéros pelo sistema de 12 pontos.

Versões

Relação entre as medias, polegadas, pontos e paicas

Atualmente, se tratando de impressão gráfica, há três versões de paica em uso:

  • Paica Francesa de 12 pontos Didot (também chamado cicéro). Corresponde a 12 × 0.376 = 4.512 mm (0.177 in)
  • Paica Americana de 0.013837ft ou 1/72.27ft. Sendo uma paica Americana = 0.166044 in (4.2175 mm).
  • Paica DTP. Corresponde a 72 avos do Pé Anglo-Saxão de 1959. Usualmente 4.233 mm ou 0.166 in.

Notavelmente, o Adobe PostScript promoveu a paica, que hoje é a unidade padrão nos métodos de impressão profissional, também em computadores e impressoras domésticas.

Tipo de tamanhos

Os tamanhos mais usados em uma fonte de computador hoje estão entre 8 e 72 pontos, estes tamanhos são padrão na maioria dos programas de processamento de texto. Isso se dá por que na época da tipografia manual quando as letras eram feitas de tipos físicos de metal elas normalmente vinham nesses mesmos tamanhos. Já houve épocas anteriores em que o conjunto tipográfico vinham com fontes que eram compostas até por tipos de 5 pontos, mas como eram demasiadamente pequenas para fabricar, (e isso devia ser um grande problema para quem montava a composição) o usual passou a ser menor tamanho a vir no conjunto com 8 pontos. Mais tarde, começaram a notar que os tipos com tamanho 72 eram demasiadamente pesados, com isso foi feita uma divisão em duas categorias:

Text type – tamanhos até 14

Este kit era vendido apenas para quem desejava reproduzir apenas texto corrido.

Display type – tamanhos a partir de 14

Este outro era vendido para quem desejava produzir cartazes, capas de livros ou revistas e coisas que exigiam letras maiores.

(com isso parece que o 14 é incluso pelas duas categorias)

Apesar dos tamanhos padrão utilizados no passado, hoje não temos limitação quanto o tamanho das fontes que podemos utilizar.

Espaçamento

Ao projetar um novo tipo, um bom tipógrafo tem que estar ciente do comprimento, largura, e espaçamento entre as linhas de texto. Estas medidas tem de estar alinhadas com o tamanho da fonte selecionada. Alguns ajustes servem para melhorar a percepção de um texto para os olhos durante a leitura, por exemplo, se não houver uma quantidade de espaço adequada no texto fica difícil a leitura.

A seguir temos alguns recursos utilizados para o espaçamento.

Entrelinhas (Line spacing)

Este é o espaçamento entre as linhas, a distancia que tem entre uma linha e a linha de baixo. A medida é feita a partir da linha de baixo até a linha de cima. Em alguns softwares também aparecem como leading, pois era chamado assim pelos tipógrafos na época do tipo de metal.

Comprimento da linha (Line length)

Comprimento da linha é o tamanho horizontal de uma linha da letras, este comprimento é muitas vezes medido em picas (picas), mas também é bastante utilizado em caracteres. E existe uma explicação científica para esta medida, pois a leitura acontece em saltos pequenos por parte dos olhos para que eles possam captar os caracteres (algo como entre 5 e 10 caracteres por vez), e algo entre 55 e 60 caracteres por linha seria o considerado o ideal permitindo que o olho dê de 6 a 12 paradas rápidas por linha. Entre 35 e 40 por linha, é considerado o mínimo, já que linhas estreitas fariam o leitor mudar de linha muitas vezes desnecessariamente além, é claro, de problemas de justificação. Por razões de praticidade jornais costumam utilizar um limite ainda menor com cerca de 30 caracteres por linha. O limite máximo para o comprimento é de 90 caracteres por linha. Bom, tá científico demais, só coloquei esta parte aqui para constar mesmo.

Kerning (entre letras)

Exemplo de kerning aplicado

Este é o espaçamento entre determinadas letras, é utilizado para resolver pequenos problemas de composição, a maioria dos softwares já o fazem automaticamente, mas às vezes ainda é necessário alguns ajustes mínimos.

Tracking (entre palavras)

Este é o ajuste entre palavras, assim como muitos ajustes parecidos, maioria dos softwares já o fazem automaticamente, mas as vezes ainda é necessário alguns ajustes mínimos.

Para quem nunca viu, um pequeno vídeo sobre como é a diagramação sem o computador.